Um passo
ou dois gerando não mais
do que o espaço -
distância do esticar de braço.
Mais um passo,
ou dois no máximo,
e ainda está assegurado
outro tipo de contato:
se o tato escapa,
subsiste, no entanto, o laço,
mais sutil é fato,
do olhar.
O tato já não mais;
vai-se junto o olfato;
vez ou outra um sinal
faz o tímpano vibrar -
memória tátil.
Eis que a trajetória errática
promove retornos inusitados.
Nada há com o que se entusiasmar:
o ponto inicial
não é ponto de chegada,
mas de passagem.
De situação privilegiada
o ponto de origem não tem nada.
Se é visto como ponta de compasso
de onde os sentidos nascem
é apenas porque a mirada
de imparcial não tem nada.
E tudo assim se passa;
ora se aproxima, ora se afasta,
em passadas cada vez mais largas.
O fato é que volta já não há mais;
se é caso de tempo ou de espaço
a questão eu repasso.
Agora, aqui, só um vácuo.
De lento em lento nem percebi.